
El pueblo en lucha

Silenciados pela dor

Culto de gratidão a Trujillo
Por dentro de “La 40”: relato de um sobrevivente sobre tortura e terror
Na noite em que cheguei ao centro de tortura, o lugar parecia algo saído de uma alucinação dantesca. Por todo o pátio da prisão e em suas diversas dependências, praticava-se a tortura de todas as formas imagináveis, em meio a um frenesi bestial em que se misturavam guardas e homens nus, algemados — gritando e se contorcendo como galinhas degoladas. É difícil, mesmo para a mente mais serena, contemplar um homem indefeso e nu transformado em uma massa de carne lacerada, convertido em uma espécie de zebra bípede, com todo o corpo coberto de vergões negros e sangrentos causados por mais de duzentas chibatadas desferidas com chicotes, grossos fios de arame e tubos plásticos.
Os gritos produzidos pela aplicação de corrente elétrica — cujo efeito abrasador percorria todo o sistema nervoso — eram especialmente vacilantes e dilacerantes. A visão de um homem nu amarrado a uma cadeira coberta de placas de cobre era particularmente dramática: a vítima se retorcia violentamente sob os choques, seu corpo se contraía, o rictus de seu rosto se transformava entre uivos de dor, criando um espetáculo verdadeiramente insuportável. Enquanto isso, nas pausas, o coro de torturadores trocava piadas e sarcasmos sobre as vítimas, divertindo-se ao apagar continuamente cigarros nos corpos dos homens amarrados na Cadeira (La Silla). Quando alguém perdia a consciência por causa das surras aplicadas em um círculo chamado O Coliseu (El Coliseo) — por dois ou três guardas ao mesmo tempo, sobre a carne esfolada, sangrando, em carne viva do cativo — despejava-se sobre ele uma lata de água salgada, ou ele era colocado na Cadeira para ser reanimado com choques elétricos.
Um holofote potente produzia uma luz ofuscante que parecia queimar o cérebro, mesmo de olhos fechados, enquanto o interrogatório continuava. O Coliseu também era usado para soltar sobre o cativo — sempre nu e algemado — dois cães treinados, que o atacavam de forma intermitente, com pausas de trinta segundos a um minuto. Em cada pausa, os interrogadores retomavam o questionamento antes de dar novamente o sinal para os cães atacarem. Os cães obedeciam automaticamente, tanto à ordem de atacar quanto à de parar. Era um sistema de tortura física e psicológica: os cães permaneciam praticamente em cima da vítima, rosnando, à espera do próximo sinal.
Tubos elétricos aplicados a áreas vitais eram comuns, mas o aspecto mais terrível desse catálogo infernal não era o tormento que cada pessoa recebia. Em última instância, chega um momento em que a dor mergulha a pessoa em uma névoa, uma espécie de estado semiconsciente em que a mente fica em branco, ocorrem desmaios e instala-se um estranho entorpecimento. Ainda mais insuportável do que o próprio castigo é testemunhar — ou ouvir — o tormento infligido aos outros.
— Rafael Valera Benítez
Complot Develado, vol. I, pp. 32–33.
Os gritos produzidos pela aplicação de corrente elétrica — cujo efeito abrasador percorria todo o sistema nervoso — eram especialmente vacilantes e dilacerantes. A visão de um homem nu amarrado a uma cadeira coberta de placas de cobre era particularmente dramática: a vítima se retorcia violentamente sob os choques, seu corpo se contraía, o rictus de seu rosto se transformava entre uivos de dor, criando um espetáculo verdadeiramente insuportável. Enquanto isso, nas pausas, o coro de torturadores trocava piadas e sarcasmos sobre as vítimas, divertindo-se ao apagar continuamente cigarros nos corpos dos homens amarrados na Cadeira (La Silla). Quando alguém perdia a consciência por causa das surras aplicadas em um círculo chamado O Coliseu (El Coliseo) — por dois ou três guardas ao mesmo tempo, sobre a carne esfolada, sangrando, em carne viva do cativo — despejava-se sobre ele uma lata de água salgada, ou ele era colocado na Cadeira para ser reanimado com choques elétricos.
Um holofote potente produzia uma luz ofuscante que parecia queimar o cérebro, mesmo de olhos fechados, enquanto o interrogatório continuava. O Coliseu também era usado para soltar sobre o cativo — sempre nu e algemado — dois cães treinados, que o atacavam de forma intermitente, com pausas de trinta segundos a um minuto. Em cada pausa, os interrogadores retomavam o questionamento antes de dar novamente o sinal para os cães atacarem. Os cães obedeciam automaticamente, tanto à ordem de atacar quanto à de parar. Era um sistema de tortura física e psicológica: os cães permaneciam praticamente em cima da vítima, rosnando, à espera do próximo sinal.
Tubos elétricos aplicados a áreas vitais eram comuns, mas o aspecto mais terrível desse catálogo infernal não era o tormento que cada pessoa recebia. Em última instância, chega um momento em que a dor mergulha a pessoa em uma névoa, uma espécie de estado semiconsciente em que a mente fica em branco, ocorrem desmaios e instala-se um estranho entorpecimento. Ainda mais insuportável do que o próprio castigo é testemunhar — ou ouvir — o tormento infligido aos outros.
— Rafael Valera Benítez
Complot Develado, vol. I, pp. 32–33.

Morte de um combatente anti-EUA

José Mesón após a tortura

Cadeira de Tortura «The Throne»

Miguel Álvarez Fadul após a tortura
Poder econômico e monopólio sob a ditadura de Trujillo
Sob a ditadura de Rafael Trujillo, o limitado desenvolvimento industrial da República Dominicana foi sistematicamente monopolizado pelo ditador, por seus associados e por sua família. As instituições do Estado — incluindo o exército, a polícia e os serviços de segurança — foram colocadas a serviço de seus interesses econômicos. Como observou o historiador Juan Bosch, Trujillo transformou-se à força no “grande capitão” da indústria nacional.
No momento de sua morte, Trujillo controlava cerca de 51% de todo o capital industrial do país. Sua fortuna pessoal incluía fábricas, plantações, vastas fazendas de gado, usinas de açúcar, companhias aéreas e de navegação, além de grandes depósitos bancários. Estimava-se que fosse superior a 600 milhões de dólares norte-americanos da época — o equivalente a mais de três bilhões hoje. Para efeito de comparação, em 1960 um automóvel Chevrolet de quatro portas custava cerca de mil pesos.
No momento de sua morte, Trujillo controlava cerca de 51% de todo o capital industrial do país. Sua fortuna pessoal incluía fábricas, plantações, vastas fazendas de gado, usinas de açúcar, companhias aéreas e de navegação, além de grandes depósitos bancários. Estimava-se que fosse superior a 600 milhões de dólares norte-americanos da época — o equivalente a mais de três bilhões hoje. Para efeito de comparação, em 1960 um automóvel Chevrolet de quatro portas custava cerca de mil pesos.

Cayo Báez após a tortura
Museu Memorial da Resistência Dominicana
O Museu Memorial da Resistência Dominicana, em Santo Domingo, é um memorial cívico dedicado a quem enfrentou a repressão do Estado e de forças estrangeiras, da ocupação dos EUA (1916–24) à ditadura de Rafael Trujillo (1930–61). Depoimentos, fotografias e objetos traçam a engrenagem da propaganda, da vigilância, das prisões e da tortura, bem como as redes clandestinas que mantiveram viva a esperança democrática. Muitos moradores tratam o museu como um lugar de luto e responsabilização, onde os direitos são entendidos como conquistas duramente obtidas, não como dádivas.
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