Pisa
Pisa (originalmente um porto medieval de rio e mar) é muitas vezes reduzida à Torre Inclinada, mas a cidade lê-se mais como uma república toscana compacta que nunca deixou de pensar. A chegada é marcada pela pedra clara e por ruas comedidas, com o Arno a dar ao centro um eixo calmo e reflexivo. Na Piazza dei Miracoli, a ambição cívica torna-se quase abstrata: um conjunto de mármore e geometria que parece menos um monumento isolado do que uma afirmação sobre aquilo que a cidade, em tempos, acreditou poder ser.
Essa confiança foi forjada na era marítima de Pisa e ainda permanece no seu tom ligeiramente voltado para dentro, seguro de si, onde o ofício e a erudição contam tanto quanto o espetáculo. O turismo é constante, mas não total; a vida universitária e a investigação mantêm o ritmo diário assente, e notas modernas como o [Tuttomondo], de Keith Haring, convivem sem esforço com igrejas e claustros antigos. A cozinha pisana mantém-se direta e sazonal, moldada pelos produtos locais e pelas mesas partilhadas, mais do que pela encenação.